
Fechando os olhos para a luz intensa que vinha da janela, entre as cortinas semi-abertas, o frio de um quarto quase vazio, quase escuro e quase perfeito. Só não era totalmente por causa do tempo. Ele acabaria. E ali, ficaria vazio mais uma vez. Só não era quase vazio por causa do amor. O amor enchia aquele quarto, aquele tempo, era iluminado, radiante, gigante. Abria janelas, portas, tinha força, cheiro, se enrolava nos lençóis, se prendia na cama, se movia devagar, respirava forte, eram dois corpos, dois corações, um sonho, um desejo.
Tinha sorrisos claros, refletidos, repetidos, uma sincronia, uma sinfonia. Vozes sussuravam docementece ecoavam pelo quarto. A luz azul que iluminava nossa pele, construia nossos versos, transformando-nos em um poema de rimas repetidas. Singelo amor contruído. 390 dias de olhares, de magia, de...de...
Muitas palavras, muitos atos. As cortinas se fecham. O telefone toca. Voltemos a realidade.
